Tratando as doenças oculares dos cães
Prof Guilherme Savassi
Os animais de estimação, especificamente os
cães, podem apresentar uma enorme variedade de doenças nos olhos. A maioria
delas já tem tratamento estabelecido há muito tempo. Outras afecções de ocorrência
comum, entretanto, não têm sido tratadas com freqüência, pois as técnicas
descritas são pouco divulgadas e conhecidas, o que impede os proprietários de
proporcionarem melhor qualidade de vida para seus animais.
Neste artigo serão abordados os distúrbios de
produção e drenagem da lágrima que promovem graves conseqüências para os cães.
A primeira doença é chamada dacriocistite e
ocorre devido à obstrução do ducto que promove a drenagem da lágrima do olho
até a fossa nasal (narinas). Algumas raças de cães são acometidas com maior
freqüência, tais como: Poodle, Maltês, Bichon Frise, entre outras. A obstrução
da drenagem faz com que parte da lágrima produzida escorra pelo canto medial do
olho, mantendo sempre úmido o pêlo e a pele da região, o que predispõe ao
surgimento de feridas e dermatites localizadas.

Mancha
no canto do olho (epífora)
causada pela obstrução do ducto lacrimal
Além do incômodo para o animal, a estética
também fica comprometida, uma vez que o cão permanece todo o tempo com duas
manchas de coloração amarronzada próximas aos dois olhos. Alguns medicamentos
podem reduzir a ocorrência do problema temporariamente mas, após a interrupção
do tratamento, os sinais retornam exatamente como antes.
O tratamento definitivo pode ser feito
através de uma cirurgia que desvia a lágrima para as narinas e reduz o
escoamento pelo canto do olho.
Outra doença que acomete os cães é a chamada
ceratoconjuntivite seca, conhecida popularmente como “Olho seco”. Neste caso, o
que acontece é uma diminuição drástica na produção de lágrima, fazendo com que
o olho fique seco, perca o brilho e comece a produzir uma secreção espessa, que
se deposita com freqüência. Os sinais que o animal desenvolve são: narinas
ressecadas, ausência de brilho no olho, blefarospasmo (o animal mantém o (s)
olho (s) parcialmente fechado (s) em função da dor que a ausência de lágrima
promove). O indivíduo acometido pelo Olho seco desenvolve infecções oculares
com maior freqüência. Muitas vezes o olho fica opaco e perde a transparência, fato
que pode culminar na cegueira permanente do animal.
Olho seco,
vermelho, opaco e sem brilho.
Até o momento, o que tem sido utilizado no tratamento do olho seco são
pomadas e colírios que aliviam temporariamente os sintomas do paciente.
Entretanto, o uso dos colírios têm que ser feito por toda a vida do animal e o
proprietário precisa de disponibilidade de tempo para instilar colírios entre 6
e 10 vezes ao dia.
Em função da dificuldade de tratamento destes animais, o Prof Guilherme
Savassi desenvolveu uma técnica cirúrgica semelhante àquela utilizada na
Medicina Humana e tem obtido êxito nos primeiros casos.
Um dos animais operados pela técnica vinha sendo tratado há 3 anos à
base de colírios sem apresentar resultado significativo. Após a intervenção
cirúrgica, um dos olhos operados voltou a apresentar quantidade de lágrima em
níveis considerados normais, o que dispensará o uso de qualquer medicamento
daqui em diante. Os resultados ainda são parciais mas tudo indica que há uma
grande chance de sucesso dessa técnica no tratamento dos cães acometidos pelo
olho seco. A técnica em questão será o tema de doutorado do Prof Guilherme.
As cirurgias são realizadas em Belo Horizonte e o custo tem sido
bastante acessível à maioria dos proprietários.
AUTORIA: Prof. Guilherme Savassi
Graduação em Medicina Veterinária pela UFMG (1999)
Residência em Cirurgia Veterinária pela UFMG (2002)
Mestrado em Cirurgia Veterinária UFSM/RS(2003)
Professor de Cirurgia e Anestesiologia, emergência, terapia intensiva e
farmacologia na Faculdade Fead - Belo Horizonte
Cirurgião chefe do Hospital Veterinário Fead.
Hospital Veterinário Fead
guilhermesavassi@hotmail.com